
Como já sabemos a Morfologia é o estudo da forma das
palavras e no episódio de hoje vamos falar de Morfema, Morfe e das Formas livres, presas e dependentes.
Pra começar vamos dizer o que é MORFEMA.
Morfema é a menor
unidade significativa que se pode identificar. O morfema tem a capacidade de se
articular com outras unidades de seu próprio nível. Ou seja, se temos uma
palavra, como por exemplo, INFELICIDADE,
encontramos três morfemas, o primeiro
é o Prefixo {In-}, o segundo é a Raiz {felic-} e o terceiro morfema é o Sufixo {- idade}.
Já o Morfe é a
realização física do morfema. É o
segmento mínimo significativo recorrente que representa um dado morfema.
Um exemplo é o Morfe –s,
em casas, representa o morfema “plural
dos nomes”, em cantas, o morfe –s representa o morfema “segunda pessoa do singular”.
Agora que já entendemos o que é Morfema e Morfe, vamos falar
das Formas livres, presas e dependentes.
Primeiro vamos definir o que é vocábulo formal. “Leonard Bloomfield define vocábulo formal tendo
em vista seu funcionamento no nível da frase. Para ele, há duas unidades
formais em uma língua, a forma livre e a forma presa.”
As Formas Livres
são aquelas que podem constituir enunciado por si só, ou seja, elas não
precisam de complementos para que tenham significado completo. Podem aparecer
sozinhas num discurso ou em respostas mínimas a uma pergunta.
Exemplo:
-Se estivermos em
um lugar cheio de pessoas e gritarmos FOGO, provavelmente grande parte dessas
pessoas buscará sair deste lugar imediatamente, com a ideia de que este local
estará pegando fogo, antes mesmo de averiguar se está ou não pegando fogo.
As Formas Presas
são aquelas que só funcionam ligadas a outras. Ou seja, são aquelas que, por si
só, não podem constituir uma palavra.
Exemplo:
-In-, o prefixo In- sozinho não nos trás sentindo algum, mas
se vier acompanhado de -útil por exemplo formará a palavra inútil, que assim
terá um significado.
Há também um novo conceito cujo Mattoso nos mostra, as Formas Dependentes.
As Formas Dependentes
funcionam ligadas as livres, mas se difere delas por não constituir enunciado por
si só. Difere-se das presas por permitirem a intercalação de novas formas entre
elas e as livres e por poderem variar de posição.
Exemplo: Diga-me que virás.
Então podemos dizer que ma palavra pode ser formada:
- De Uma forma livre mínima, indivisível: Luz;
- De Duas formas livres mínimas: Beija-Flor;
- De Uma forma livre e uma ou mais presas: In-Feliz-Mente;
- Apenas de formas presas: Im-pre-vis-ível.
Para fixarmos melhor observemos esse poema:
Neste poema vamos enfatizar a quantidade de formas presas que podemos encontrar:
- A palavra IMPREVISTO,
- REENCONTRA,
- REINVENTA,
- REENCANTA e
- RECOMEÇA.
São formas presas, pois {IM-} e {RE-}, só funcionam ligadas a outras palavras.
O poema não teria o mesmo sentido somente com as formas presas ou somente com as formas livres.
É isso pessoal, até o próximo episódio.

1 comentários:
Olá, Werônica!
Ótima explicação e análise das palavras, parabéns! Porém gostaria que você falasse um pouco mais sobre o que o poema trata. São poucas palavras, mas significam muito; acho que você poderia analisar e refletir a respeito. Outros pontos: em "cantas", o morfe -s representa o morfema {-s}, que é sufixo número-pessoal de segunda pessoa do singular; de fato, {im-} e {re-} são formas presas nas palavras analisadas, legal :)
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